top of page

Israel mantém restos mortais de 1.700 palestinos como moeda de troca

©momen_sameer
©momen_sameer

Israel mantém os restos mortais de cerca de 1.700 palestinos para utilizá-los como moeda de troca em futuras negociações. A informação foi divulgada pelo jornal Haaretz em 11 de agosto. Atualmente, nenhuma pessoa israelense permanece detida por facções da resistência palestina.


O chefe do Shin Bet, David Zini, defende que os restos mortais permaneçam sob custódia israelense para eventual utilização em negociações relacionadas a futuras capturas. A posição é compartilhada pelo exército israelense, segundo o Haaretz.


A maior parte dos corpos corresponde a palestinos que participaram da Operação Al-Aqsa, realizada pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. O conjunto também inclui palestinos que não participaram de combates.


Juristas citados no caso sustentam que Israel não possui autoridade para manter os restos mortais de palestinos que não participaram de combates sem uma resolução específica do gabinete. Nenhuma resolução desse tipo foi discutida desde janeiro de 2026, quando os restos mortais do último prisioneiro israelense foram devolvidos de Gaza.


Em petições apresentadas ao Supremo Tribunal de Israel, o próprio consultor jurídico do Shin Bet, cuja identidade não pode ser divulgada, afirmou que o Estado não pode continuar mantendo corpos depois de determinar que a pessoa correspondente não esteve envolvida em combates contra Israel.


Em 9 de julho, o Haaretz informou que Israel mantinha os corpos de mais de 100 palestinos da Cisjordânia ocupada e da Faixa de Gaza que morreram sob custódia israelense. A reportagem citou o grupo de direitos humanos e indicou que pelo menos 68 dos mortos eram residentes de Gaza.


Os dados sobre as detenções também mostram a dimensão da política carcerária israelense. Segundo números do Serviço Prisional de Israel divulgados pelo Times of Israel em 7 de agosto, 3.198 palestinos estavam submetidos à detenção administrativa sem acusação ou julgamento, enquanto outros 4.767 permaneciam presos sob a classificação israelense de detenção por motivos de segurança.


Além desses grupos, 1.358 palestinos sequestrados durante o genocídio israelense em Gaza são classificados por Israel como combatentes ilegais. Muitos estão detidos na prisão de Sde Teiman, onde palestinos relataram tortura, estupro e outras formas de violência praticadas por guardas, incluindo o emprego de cães treinados.


A detenção administrativa de crianças palestinas também aumentou. Dados publicados pelo The Cradle apontam que o número de crianças mantidas nessa modalidade passou de 103 em janeiro de 2025 para 191 em março de 2026.


No mesmo período, aumentou de seis para cerca de 50 o número de crianças palestinas que permaneciam em detenção administrativa por mais de um ano.


Ao mesmo tempo, o ministro da Guerra de Israel, Israel Katz, proibiu a aplicação da detenção administrativa contra colonos judeus que atacam palestinos na Cisjordânia ocupada. A medida ocorreu enquanto a detenção administrativa continuava sendo aplicada contra palestinos.


O Conselho de Direitos Humanos da ONU, a Anistia Internacional, a B'Tselem e organizações de direitos palestinos documentaram denúncias de estupro e tortura sexual contra palestinos detidos por Israel. Segundo essas organizações, essas práticas se intensificaram desde o início do genocídio em Gaza, em 2023.

 
 

JORNAL CLANDESTINO

Se você está lendo

ainda há esperança

bottom of page