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Abordagens Interdisciplinares: como superar a fragmentação do conhecimento na escola

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Você já parou para pensar por que a escola insiste em dividir o conhecimento em disciplinas tão estanques? História, Geografia, Matemática, Português, Biologia, Física, Química – cada uma em seu compartimento, como se a realidade fosse feita de gavetas separadas. E você já percebeu como, na vida real, os problemas nunca vêm com uma etiqueta dizendo "isso é assunto de Matemática" ou "isso é problema de História"? O aquecimento global, a desigualdade social, a pandemia, a crise econômica – todos esses fenômenos exigem que olhemos para eles de múltiplas perspectivas, combinando conhecimentos de diferentes áreas.

No entanto, a escola continua presa a um modelo curricular que fragmenta o saber em disciplinas isoladas, herança de um período histórico que já não existe mais. Essa estrutura, que fazia sentido na era fordista, hoje se mostra cada vez mais inadequada para formar cidadãos capazes de compreender e atuar em um mundo complexo e interconectado.

Para entender por que a escola está estruturada como está, precisamos olhar para além de seus muros. A organização do currículo escolar reflete, em grande medida, a lógica dos modos de produção dominantes em cada época.

Como observa o educador espanhol Jurjo Santomé (1998), a fragmentação do conhecimento em disciplinas escolares apartadas é um desdobramento direto da divisão do trabalho característica do taylorismo e do fordismo. Na fábrica fordista, cada trabalhador atua em uma atividade bastante específica, sem ter a dimensão total do processo produtivo. Da mesma forma, na escola fordista, o aluno tem sua visão da totalidade limitada pelas fronteiras disciplinares.

A expectativa era que o aluno, ao ter sua grade escolar constituída por cerca de oito disciplinas distintas, pudesse "costurar" essas frações e construir uma visão integral da realidade. Mas, como Santomé (1998) alerta, não é isso que acontece. O aluno, em geral, sai da escola sem conseguir usar aquele leque de informações adquiridas ao longo de anos para decifrar o mundo que o cerca.

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