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Educação na Era Global: por que a escola parece parada no tempo?

Se você é professor, certamente já sentiu aquela sensação incômoda ao entrar em sala de aula: os alunos parecem falar uma língua diferente, seus interesses são outros, e o que funcionava há vinte anos simplesmente não funciona mais. Se você é pai ou mãe, talvez já tenha se perguntado por que seu filho reclama tanto da escola, achando-a chata, ultrapassada e sem sentido. Se você é aluno, provavelmente já pensou: "Para que vou aprender isso?" Essa desconexão entre a escola e a sociedade não é acidental. Ela é fruto de transformações profundas que vêm ocorrendo nas últimas décadas, impulsionadas pela globalização e pela pós-modernidade. Enquanto o mundo mudou radicalmente – na economia, na política, na família, na religião, na forma como nos relacionamos e até mesmo na maneira como construímos nossa identidade – a escola, essa instituição milenar, parece ter ficado parada no tempo. Mas por que isso aconteceu? E o que podemos fazer para reverter esse quadro?

Quando olhamos para a vida social em uma escala mais próxima – a família, a religião, as afetividades, o trabalho – percebemos que a globalização impôs à humanidade transformações profundas e aceleradas. Embora seja um exagero atribuir todas as metamorfoses que vivenciamos nos últimos tempos exclusivamente à globalização, seria uma negligência deixar de reconhecer sua participação expressiva nesse processo. Como observa o sociólogo Stuart Hall (2006), as identidades modernas – entre elas a identidade nacional, mas também as de gênero, sexualidade e etnia – estão entrando em colapso. Isso ocorre porque existe uma relação direta entre o mundo objetivo (aquilo que existe fora de nós) e o mundo subjetivo (nossa cultura). E como um dos pilares da modernidade e da pós-modernidade é um ritmo acelerado de transformações produtivas, sociais e financeiras, nossas identidades também são rapidamente metamorfoseadas.

O nacionalismo, que na década de 1970 era uma política de Estado – lembram do slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o"? – hoje é visto como uma prática anacrônica, que não tem mais lugar em um mundo onde a ideia de nação perde espaço. Isso acontece porque as grandes corporações transnacionais ganharam força e poder, e instâncias supranacionais como a ONU e a OMC passaram a ditar regras que os Estados nacionais precisam seguir.

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